Educação

O enriquecimento pessoal e académico encerram em si mesmos uma capacidade transformadora e fortalecedora dos indivíduos. O aumento do nível de conhecimentos, equivale a um aumento do seu poder pessoal e, deste modo, a capacidade de controlar melhor os acontecimentos da sua própria vida, e facilitar o acesso a novas e melhores oportunidades de emprego.
O Programa de Educação Apoiada é dirigido a pessoas com doença mental que pretendem voltar a estudar e tem como missão prestar os apoios necessários e adequados no sentido de contribuir para o sucesso dos projectos individuais, nos mais variados graus de ensino:
• Ensino secundário regular e recorrente
• Ensino superior
• Cursos de educação e formação de adultos
• Cursos de alfabetização.

“À medida que vamos estudando vamos tendo mais conhecimentos que são aprofundados e isso contribui para o empowerment. Esquecemos assim os problemas e conhecemos outros mundos, o mundo escolar: escola, colegas, amigos, cantina etc. É importante alcançarmos os nossos objectivos.”
Testemunho

O Programa de Educação Apoiada tem como objectivos:
• Incentivar os membros do Centro a envolverem -se em projectos escolares, organizando debates sobre os benefícios pessoais, profissionais e sociais resultantes do enriquecimento académico;
• Dar informação sobre oportunidades e recursos educativos;
• Promover o acesso às escolas e universidades da comunidade bem como aos C.R.V.C.C.;
• Proporcionar um sistema de suporte que contribua para o sucesso dos projectos escolares individuais.

Este Programa apresenta três tipos de suportes principais:
1. Programa educacional individual
2. Grupo de estudantes
3. Estudo acompanhado

1. Programa Educacional Individual
Corresponde ao Suporte proporcionado individualmente, no sentido de assegurar o acesso e a manutenção do projecto educativo da sua escolha e interesse. Este apoio é prestado a vários níveis:
1.1- Escolha do Projecto Educativo: analisar o percurso escolar anterior, clarificar os objectivos educativos e delinear o plano educacional individual.
1.2- Acesso ao espaço escolar: estabelecimento da ligação entre o estudante e a escola, suporte no processo de candidatura e matrícula, na escolha do percurso e transportes para a escola, desbloqueamento de apoios, como bolsas de estudo e redução/isenção de propinas.
1.3- Articulação de recursos e manutenção do projecto educativo: conjunto de suportes assegurados tanto dentro da escola (com o consentimento ou pedido do estudante), como fora da escola.

Ao nível da escola:
• Estabelecer uma relação com a escola e com os diversos departamentos das organizações educativas;
• Envolver e colaborar com os professores na resolução das necessidades específicas dos estudantes;
• Apoiar directamente os estudantes no espaço educativo, sempre que necessário.

Fora da escola:
• Organizar o tempo e os métodos de estudo;
• Disponibilizar recursos materiais (salas de estudo, equipamento informático, internet, fotocópias);
• Informar e facilitar o acesso a outros recursos da comunidade (bibliotecas, mediatecas, conferências);
• Proporcionar apoio individualizado para identificação e resolução de necessidades e dificuldades específicas;
• Proporcionar suporte, em coordenação com o grupo de estudantes, para a realização de trabalhos, preparação para os testes, etc.

2. Grupo de Estudantes
Esta reunião semanal foi criada tendo em vista dar uma resposta às necessidades de suporte dos estudantes, proporcionando um espaço de interajuda facilitador do sucesso dos projectos escolares de cada um.
Em colaboração com os participantes, foram estabelecidos os vários objectivos deste grupo:
• Partilhar e reflectir sobre a experiência escolar e formativa;
• Aprender a tirar e organizar apontamentos;
• Desenvolver competências e métodos de estudo;
• Estabelecer objectivos e metas e cumpri-los;
• Promover sentimentos positivos de confiança;
• Debater formas de lidar com a pressão dos exames e das avaliações;
• Debater questões acerca do relacionamento com colegas e professores;
• Proporcionar o apoio efectivo, entre os membros do grupo, na realização de trabalhos;

3. Estudo acompanhado
O Centro Comunitário continua a disponibilizar salas de estudo, bem como recursos materiais, equipamento informático, acesso à internet e fotocópias. Cada estudante pode utilizar estes espaços para estudar a matéria que foi previamente planificada, redigir trabalhos e preparar apresentações, promovendo-se rotinas de estudo que sejam facilitadoras do sucesso escolar. O acompanhamento engloba também um plano de estudo e um suporte individualizado e também fornecer informação e facilitar a utilização de outros recursos na comunidade (bibliotecas, mediatecas, conferências).

“Sou estudante universitário e pertenço à AEIPS, onde estou inserido no grupo de estudantes. Acho muito positivo que esta Associação (a AEIPS) tenha uma área de estudantes e isto porque é sabido que grande parte das pessoas com problemática de doença mental, desistem dos seus estudos e nunca mais os retomam. Muitos são mesmo surpreendidos pela doença enquanto estudantes e abandonam os estudos. E por vezes bastava um esforço (um esforço grande, eu sei…) para retomar esses estudos, não os abandonar totalmente e tentar prosseguir um processo que é também o de Recovery. Na área de estudantes não somente se estuda: aprende-se a estudar! Temos horas de estudo livre, frequentamos Bibliotecas na sua vertente livresca e na Internet, aprendemos a gerir o nosso estudo, não só com motivação pessoal mas também com o auxílio das Técnicas. A nossa “biblioteca” é pequenina mas já tenho conseguido aí concentrar-me melhor que em muitas outras bibliotecas. E por vezes pode ser fácil. Basta pegar num livro, abri-lo e lê-lo. E depois outro. E outro ainda. E assim se criam hábitos de leitura que poderão resultar num retomar dos estudos. Por experiência própria (e aqui dou o meu testemunho) sei que é difícil. Eu próprio desisti muitas vezes, ao longo do meu curso de Estudos Portugueses, mas retomava sempre com o objectivo de o concluir, e actualmente estou no 4º ano, que é o último.
E há quem estude por si (o ensino auto-dirigido), pessoas com leituras, com quem podemos conversar em amena cavaqueira (falar de livros, mas também de experiências). Ler um livro numa biblioteca é grátis, não causa doença e poder-se-á ter experiências que julgávamos impossíveis. Kafka disse que um livro devia ser o machado que quebrasse o mar de gelo que há em nós. Há livros inesquecíveis e muitas pessoas mudaram de vida por causa da leitura de um livro. Este ensino autodidacta é muito importante mas também é necessário ir aos sítios onde as coisas se passam, neste caso às escolas e universidades. E estudantes da AEIPS já demonstraram que são capazes e que não são inferiores a tantos outros que a doença não atacou. Bons estudos, boa sorte para todos os estudantes da AEIPS, é o meu voto para este novo ano que começa.”
Testemunho

Identificação e articulação com Organismos Educativos

Esta área pretende identificar continuamente organismos, programas e projectos públicos e privados que possam vir a constituir-se como oportunidades significativas para o desenvolvimento e valorização curricular dos participantes do Centro Comunitário.

1. C.R.V.C.C.
Para o ano de 2004, para além de manter o trabalho de ligação com as escolas, a AEIPS tem como prioridade desenvolver uma colaboração com a Direcção-Geral da Formação Vocacional, do Ministério da Educação, em particular com os seus Centros de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências.
Estes Centros foram criados para que os adultos que não tenham a escolaridade obrigatória, possam ser reconhecidos os conhecimentos e as competências que adquiriram ao longo da vida e terem um certificado que, para todos os efeitos legais, corresponde aos diplomas do 1º, 2º e 3º ciclos de escolaridade, emitidos pelo Ministério da Educação.
Este processo de reconhecimento permitirá a alguns membros do Centro obterem a escolaridade obrigatória, num curto espaço de tempo, melhorando desta forma as suas habilitações académicas, facilitando o acesso a outros níveis escolares, a programas de formação e até a oportunidades de emprego.

2. Escolas de Línguas Estrangeiras
O Programa de Educação Apoiada tem igualmente estabelecido contactos com várias escolas de Línguas, em Lisboa, dando apoio aos membros do Centro que querem aprender ou melhorar os seus conhecimentos em línguas estrangeiras.